09.10.10

The Used – Artwork

Lançamento: Reprise Records
Por: Felipe Ladeira

(1/5)

A primeira pergunta que fiz quando terminei a audição do quarto álbum de estúdio da banda de Orem, Utah, foi: “Estou mesmo ouvindo The Used? Não bastaram as críticas do público no Lies For The Liars?!”. Os fãs antigos que possuíam alguma esperança de um álbum nos moldes do S/T e do In Love And Death podem esquecer a idéia, já que Artwork é mais um lançamento sem criatividade, repleto de clichês e que mostra uma banda perdendo cada vez mais a personalidade do seu som em busca de reconhecimento na mídia.

O primeiro single da banda, “Blood On My Hands”, marca o início de algo que nunca deveria ser chamado de Artwork. No entanto, é uma boa faixa: instrumental pesado, bateria agressiva e a pegada no refrão que lembra (eu disse LEMBRA) o “velho” The Used. Em sequência temos a emocional “Empty With You” amenizando o banho de sangue da primeira canção com o seu romântico “If you want to say goodbye to everything, I could say goodbye too I can be right here empty with you.” Tendo um efeito semelhante à “I Caught Fire” no In Love And Death, um segundo ponto positivo para o fraco Artwork.

A boa impressão inicial é esmagada pelo tédio de “Born To Quit” e pela balada mal-sucedida de “Kissing You Goodbye” que nos apresenta apenas ao Bert sem inspiração e seu chato piano, além de um solo de guitarra sem imaginação.

“Sold My Soul” coloca as coisas no eixo novamente através da combinação: bom riff de guitarra por Quinn Allman, refrão bem escrito e um agradável piano no final da canção, porém isso não é suficiente para compensar o desastre musical nas quatro faixas seguintes que falham mesmo quando a banda tenta ser pesada, já que screams ao fundo e traços de eletrônica definitivamente não são chegaram perto do resultado esperado.

A penúltima canção, “The Best Of Me”, faz jus ao título sendo a única com os screams e agressividade instrumental que fizeram o The Used uma das melhores bandas de post-hardcore entre 2002-2005, ao meu ver essa é a faixa que mais se destaca no álbum. O “YOU NEVER GOT ME!” desperta a vontade do fã de gritar junto com Bert McCracken. “Men Are All The Same” trata de fechar o álbum de forma não muito satisfatória e demonstra como uma produção excessiva pode estragar uma boa letra.

Alguns podem chamar o “Artwork” de evolução, mas eu simplesmente percebo o clássico exemplo de uma banda que perdeu a essência da sua sonoridade em busca do sucesso. Uma das maiores decepções do ano quando o assunto é post-hardcore.

Tracklist:

  1. Blood On My Hands
  2. Empty With You
  3. Born To Quit
  4. Kissing You Goodbye
  5. Sold My Soul
  6. Watered Down
  7. On The Cross
  8. Come Undone
  9. Meant To Die
  10. The Best Of Me
  11. Men Are All The Same
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