03.10.10

ESPECIAL: A Década Perdida Para a Indústria da Música

Eu li isso no site da CNN e resolvi compartilhar com todos:

Se você assistiu ao Grammy Awards no último domingo, você pode ter sido enganado a pensar que tudo está bem na indústria da música. Mas a verdade é que no final do ano passado, a Indústria valia metade do seu valor há 10 anos atrás e ao que tudo indica essa tendência não deve desacelerar tão rapidamente.

O total de revendas e licenciaturas caiu para 6.3 Bilhões de Dólares em 2009, segundo a empresa Forrester Research. Em 1999, esse valor chegou a 14.6 Bilhões.

Os dados oficiais da Associação de Gravadoras dos EUA (RIAA) serão lançados só na primavera (outono no Brasil), a tendência está bem clara. Em nove dos últimos dez anos o número de vendas só caíram, em média 8% ao ano. A última década foi a primeira que registrou uma margem negativa em vendas.

“Uma série de mudanças aconteceram nos últimos 10 anos”, disse o vice presidente do departamento de pesquisas do RIAA, Joshua Friedlander. “A Indústria está se adaptando as demandas dos consumidores, como, onde e quando eles escutam música, chegar nessas mudanças é um processo demorado e desgastante.”

As duas recessões durante a década não ajudaram nas vendas de música. É um pouco injusto comparar a última década com os anos 90, porque durante os anos 90 os consumidores trocaram massivamente seus discos de vinil, fitas cassete por CD’s.

Mas experts e gurus da Indústria ainda culpam a crescente popularidade da música digital como uma das grandes responsáveis pela queda de vendas.

“Os negócios da música digital é uma guerra de atrito que parece não ter um vencedor, ” disse David Goldberg, antigo chefe da Yahoo Music “Os CDs estão desaparecendo, e não tem nada substituindo ele a altura.”

A Doença que é a Música Gratuita

A batalha por consumidores que pagam por música pode ter sido perdida antes mesmo de ter começado. Em 1999, surgiu o Napster, um programa de compartilhamento on-line gratuito. O programa não só mudou a forma como muitos compravam suas músicas, ele também abaixou o preço dos CD’s de 14$ para 0.

“É fácil dar as coisas de graça,” essa foi a frase dita por Russell Frackman, principal advogado no processo contra o Napster em 1999. “A indústria não achou a tecnologia ruim. Mas achou errado a forma que ela estava sendo usada.”

O iTunes da Apple é creditado como o programa que finalmente fez um grande número de pessoas pagarem pela suas músicas, mas ele só foi surgir em 2003.

Entre o fim do Napster e o surgimento do iTunes, muitos dos 60 milhões de usuários do Napster encontraram outros modos de compartilhamento de música, continuando a obtê-la de forma gratuita. E mesmo quando o programa da Apple estreou, vendendo músicas por 99 centavos, a taxa não era tão atraente aos consumidores.

“Esse lag de quatro anos é o que fez a Indústria perder a batalha”, disse Sonal Gandhi, analista da Forrester Research. “Eles perderam uma oportunidade para aproveitar o novo comportamento dos consumidores e capitalizar em cima disso. ”

Segundo uma pesquisa da Forrester, hoje apenas 44% dos usuários de internet nos EUA e 64% dos norte-americanos acreditam que a música que eles estão pagando vale aquele dinheiro. O volume de downloads ilegais continua a corresponder a cerca de 90% do mercado, segundo o tracker BigChampagne Media Measurement.

“As pessoas vão roubar a música independente da situação, não compensa entrar nessa batalha, afinal de contas a guerra já está perdida”, disse Dan Ingala, fundador e vocalista da banda Plushgun.

Quando seu disco, ‘Pins and Panzers’, foi lançado ele foi o mais popular no site p2p What.cd com mais de 10,000 downloads ilegais de faixas.

“É uma questão de adaptação.”  Disse Ingala. “Ao mesmo tempo, isso tem ajudado a gente a criar um público.”

Para Onde Estamos Indo

O grande problema da Indústria da Música pode ser a sua maior oportunidade. Mesmo com a queda percentual no número de vendas, a internet expõe aos seus usuários mais música do que qualquer outra coisa. Mas tem sido difícil ganhar em cima disso.

A Indústria tentou, licenciando ringtones, músicas em rádios como MySpace Music e Pandora, licenciando vídeos no youtube. Em 2009, só em licenças digitais as revendas chegaram a 84 milhões, e a previsão é de que esse número aumente ainda mais este ano.

As taxas de licença não cobrem pelo volume total de perdas, mas Gandhi acredita que a Indústria está finalmente caindo na real com as mudanças ao adotar esses novos formatos e tecnologias.

Ela disse que o efeito de interativo multimídia, um crescimento nas licenciaturas digitais e serviços como Lala, que foi comprado pela Apple em Dezembro, acabarão ajudando nas vendas.

“A Indústria está ativamente fazendo uma série de coisas que devem ajudá-la a voltar aos caminhos certos,” disse Friedlander (RIAA) “Estamos mudando de um formato de acesso para um modelo de forma de compra.”

As previsões da Forrester não são das melhores. A Indústria deve continuar em declínio até 2014, quando atingir a marca de 5.5 Bilhões de Dólares.
A menos que aconteça uma grande revolução, só então, as vendas irão possivelmente subir novamente.

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